A etíope Tigst Assefa protagonizou uma das atuações mais impressionantes da temporada neste domingo (27) ao vencer a Maratona de Berlim em 2h11min04s, estabelecendo novo recorde do percurso e registrando a terceira melhor marca feminina da história da maratona.
O resultado, porém, veio acompanhado de um desfecho dramático. Assefa permaneceu em ritmo para atacar o recorde mundial de 2h09min56s até aproximadamente o km 40, quando apresentou um problema na perna direita. A passada se tornou irregular, a atleta começou a mancar e perdeu a possibilidade de quebrar novamente o recorde mundial em Berlim.
Mesmo com a queda brusca de ritmo nos quilômetros finais, a vantagem construída ao longo da prova permitiu que Assefa chegasse sozinha ao Portão de Brandemburgo e conquistasse sua terceira vitória na Maratona de Berlim.
No masculino, a Etiópia também ficou com o título. Guye Adola venceu em 2h02min50s, melhor marca pessoal de sua carreira, e voltou ao lugar mais alto do pódio em Berlim cinco anos depois de sua primeira vitória na prova.
Desde os primeiros quilômetros, ficou claro que Tigst Assefa não estava correndo apenas pela vitória.
A etíope passou pelos 10 km em 30min48s e chegou à meia maratona em 1h04min57s. Naquele momento, já corria isolada e havia transformado a disputa feminina em uma corrida contra o relógio.
A tentativa ganhou ainda mais força na segunda metade. A cinco quilômetros da chegada, a projeção apontava para aproximadamente 2h09min36s, abaixo do recorde mundial de 2h09min56s.
Assefa alcançou os 40 km em 2h03min00s, ainda com projeção de chegada em aproximadamente 2h09min44s. Foi logo depois desse ponto que o cenário mudou completamente.
A atleta começou a apresentar uma passada irregular e, pouco depois, passou a correr mancando visivelmente. A velocidade caiu nos dois quilômetros finais e a tentativa de recorde mundial terminou, mas a enorme vantagem sobre as adversárias manteve sua vitória segura.
Assefa cruzou a linha de chegada em 2h11min04s, 49 segundos abaixo dos 2h11min53s que ela própria havia registrado em Berlim em 2023.
A relação de Tigst Assefa com a Maratona de Berlim ganhou mais um capítulo histórico.
Em 2022, ela venceu a prova em 2h15min37s. No ano seguinte, retornou e correu 2h11min53s, marca que naquele momento representou o recorde mundial feminino.
Neste domingo, Assefa conquistou sua terceira vitória em Berlim e estabeleceu pela terceira vez o recorde do percurso, feito inédito na história da prova.
O esforço, entretanto, impediu que a etíope celebrasse normalmente a conquista. Segundo a organização, Assefa foi encaminhada ao hospital após a chegada para avaliação do problema apresentado na perna direita e não participou das entrevistas posteriores à prova.
Até a divulgação das informações oficiais disponíveis neste domingo, não havia diagnóstico detalhado sobre a lesão.
A superioridade etíope não ficou restrita à vencedora.
Bedatu Hirpa terminou na segunda colocação em 2h16min53s, enquanto Dera Dida completou o pódio apenas dois segundos depois, em 2h16min55s.
A diferença entre Assefa e a segunda colocada foi de quase seis minutos.
A alemã Anna Langerwisch, do Marathon Team Berlin, terminou em 16º lugar com 2h27min31s e foi a atleta da casa mais rápida da prova.
Outra alemã que buscava uma marca importante não conseguiu completar a maratona. Esther Pfeiffer iniciou a corrida mirando o recorde nacional de 2h19min19s, estabelecido por Irina Mikitenko em 2008, mas abandonou por volta do km 14.
A prova masculina permaneceu aberta por mais tempo. Um grupo numeroso chegou à metade da maratona em 1h01min01s, antes de a seleção começar na aproximação dos 30 km.
Guye Adola assumiu a dianteira e fez o movimento decisivo na parte final. Por volta dos 35 km, o etíope já havia construído vantagem sobre os perseguidores e não voltou a ser ameaçado.
A vitória veio em 2h02min50s, quase um minuto abaixo de sua antiga melhor marca, de 2h03min46s. O tempo anterior havia sido estabelecido justamente em sua estreia na maratona, em Berlim, em 2017, quando terminou em segundo lugar.
Adola já havia vencido a Maratona de Berlim em 2021 e conquistou neste domingo seu segundo título na capital alemã.
O também etíope Gemechu Diriba ficou em segundo, com 2h03min19s, enquanto o tanzaniano Gabriel Geay completou o pódio em 2h03min59s.
Feminino
Masculino
A combinação das marcas de Assefa e Adola também colocou a edição de 2026 entre as mais rápidas já realizadas.
Somados, os tempos dos dois campeões chegam a 4h13min54s. Segundo a organização, é a segunda menor soma já registrada entre os vencedores masculino e feminino de uma mesma maratona.
Apenas a Maratona de Chicago de 2024 teve uma soma inferior, com 4h12min40s.
A 52ª edição da Maratona de Berlim recebeu inscrições de mais de 56 mil corredores de 162 países, consolidando mais um capítulo da história de uma prova tradicionalmente associada às marcas mais rápidas dos 42,195 km.
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