O recorde mundial feminino da maratona estabelecido por Ruth Chepngetich em Chicago, em 2024, continua oficialmente válido mesmo depois de a atleta queniana ter sido suspensa por uma violação antidoping.
Chepngetich correu 2h09min56s na Maratona de Chicago em 13 de outubro de 2024, tornando-se a primeira mulher a completar os 42,195 km em menos de 2h10. A marca permanece no topo da lista oficial da World Athletics.
Cinco meses depois, em março de 2025, uma amostra coletada fora de competição apresentou resultado positivo para hidroclorotiazida, um diurético proibido pelas regras antidoping. Em outubro daquele ano, a Athletics Integrity Unit (AIU) anunciou uma suspensão de três anos após a atleta admitir a violação e aceitar a sanção.
A diferença entre as duas datas é o ponto central para entender por que o recorde não foi retirado.
Chepngetich estabeleceu o recorde mundial em 13 de outubro de 2024, em Chicago.
Na ocasião, ela venceu a prova em 2h09min56s e retirou 1min57s da então melhor marca mundial, que pertencia à etíope Tigst Assefa.
O resultado foi posteriormente ratificado pela World Athletics como recorde mundial.
A amostra que originou a suspensão, porém, foi coletada somente em 14 de março de 2025, durante um teste fora de competição realizado no Quênia.
Portanto, a violação antidoping reconhecida oficialmente pela AIU está vinculada àquele período de 2025.
A atual lista de recordes da World Athletics continua apresentando os 2h09min56s de Chepngetich como recorde mundial feminino.
O caso começou com o resultado positivo para hidroclorotiazida (HCTZ), substância proibida que tem efeito diurético e pode ser utilizada como agente mascarante.
Segundo a decisão da AIU, a concentração encontrada na urina de Chepngetich foi estimada em 3.800 nanogramas por mililitro, enquanto o limite mínimo de reporte estabelecido para a substância é de 20 nanogramas por mililitro.
A atleta admitiu a violação e recebeu uma suspensão de três anos, com início retroativo a abril de 2025 e término previsto para abril de 2028.
Além da presença da substância, a investigação da AIU analisou outros elementos relacionados ao caso, incluindo mensagens encontradas no telefone da atleta.
A decisão estabeleceu a desqualificação dos resultados de Chepngetich a partir de 14 de março de 2025, data da coleta da amostra positiva, e não de suas performances anteriores.
É justamente aqui que o caso se torna incomum.
A suspensão por doping não significa automaticamente que todos os resultados anteriores à coleta da amostra positiva sejam anulados.
Para retirar uma marca anterior, seria necessário estabelecer uma base jurídica para considerar que a atleta estava violando as regras antidoping naquele período específico.
No caso de Chepngetich, a amostra que resultou na violação foi coletada quase cinco meses depois do recorde de Chicago.
Em entrevista recente, o chefe da AIU, Brett Clothier, reconheceu que a situação é insatisfatória do ponto de vista da integridade esportiva, mas explicou que as regras antidoping estabelecem limites para a aplicação retroativa das sanções.
A Agência Mundial Antidoping (WADA) também afirmou que retirar resultados anteriores sem evidência ou inferência razoável de que a atleta estivesse dopada naquele momento poderia entrar em conflito com princípios jurídicos, incluindo proporcionalidade e direitos humanos.
Embora o recorde permaneça válido do ponto de vista oficial, sua credibilidade passou a ser questionada dentro do atletismo.
O caso ganhou novo destaque nesta semana depois que uma reportagem do The Guardian voltou a discutir o futuro da marca de 2h09min56s e entrevistou o chefe da AIU sobre a situação.
O problema é particularmente sensível porque Chepngetich estabeleceu uma marca extraordinária e, meses depois, foi punida por uma violação antidoping.
A questão que permanece aberta é se o esporte deveria ter mecanismos capazes de lidar com situações desse tipo — quando uma violação é descoberta posteriormente, mas não existe uma prova jurídica suficiente para estabelecer que o atleta estava dopado na época do recorde.
Atualmente, não existe uma regra que permita simplesmente apagar o resultado de Chicago com base apenas na suspensão posterior.
Enquanto a discussão continua, o recorde permanece oficialmente registrado.
Os 2h09min56s de Chepngetich ainda aparecem como a melhor marca feminina da história da maratona na lista da World Athletics.
A etíope Fotyen Tesfay, que correu 2h10min51s em Barcelona em março de 2026, ocupa atualmente a segunda posição. Tigst Assefa, com 2h11min04s em Berlim, em setembro de 2026, aparece em terceiro. Hawi Feysa, vencedora da Maratona de Chicago deste ano com 2h13min33s, é a quarta colocada.
A marca de Chepngetich, portanto, continua sendo a única abaixo de 2h10 na história da maratona feminina.
A atleta permanece inelegível para competir até 18 de abril de 2028, de acordo com o registro da AIU.
Sua suspensão é de três anos e está relacionada à presença e ao uso de hidroclorotiazida. Os resultados obtidos a partir de 14 de março de 2025 foram desqualificados.
O caso deixa uma situação incomum para o atletismo: a recordista mundial da maratona está suspensa por uma violação antidoping, mas o recorde que ela estabeleceu antes da coleta da amostra positiva continua oficialmente reconhecido.
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