A ultramaratonista catarinense Débora Simas, de 55 anos, é a nova recordista mundial feminina de corrida em esteira por sete dias. Às 9h14 do último domingo (9), ela superou os 846,16 km da marca anterior, pertencente à neozelandesa Emma Timmis, e encerrou as 168 horas de prova com 866,21 km percorridos.
O desafio começou ao meio-dia do domingo anterior (2), quando Débora deu início à tentativa em uma estrutura montada no Beiramar Shopping, em Florianópolis. Moradora de Barra Velha, no litoral norte de Santa Catarina, a atleta permaneceu praticamente o tempo todo em movimento, deixando a esteira apenas para curtos períodos de sono, higiene e atendimento médico.
Sete anos depois, a marca que faltava
Não era a primeira tentativa de Débora no local. Em 2019, no mesmo Beiramar Shopping, ela percorreu 800,61 km em sete dias e ficou com os recordes brasileiro e sul-americano da modalidade — a poucos quilômetros da marca mundial da época. Sete anos depois, voltou ao mesmo lugar para buscar o que tinha ficado pelo caminho.
A preparação para essa segunda tentativa levou dois anos, com os últimos seis meses em rotina mais intensa, conciliada com dois empregos: de dia, em uma agropecuária; à noite, em uma lanchonete.
Débora começou a correr aos 34 anos e, em pouco mais de oito anos de treino, tornou-se tricampeã da Brasil 135 Ultramarathon, a principal prova da modalidade no país. Também foi a primeira brasileira a completar a 1000K Brasil, prova de mil quilômetros em dez dias.

Uma prova sem substituição nem revezamento
O regulamento da modalidade não permite pausas planejadas além do descanso: é uma atleta, uma esteira, sete dias. Nas primeiras noites, Débora dormiu cerca de três horas por período, com o cronograma reavaliado diariamente conforme desgaste físico e quilometragem.
O momento mais delicado da semana aconteceu na noite de quarta-feira, quando uma câimbra forte quase a fez perder os sentidos, obrigando a equipe a rever toda a estratégia para os dias seguintes. Ainda assim, a recuperação foi rápida: na manhã de sexta-feira, Débora já havia percorrido 601,29 km, três horas à frente do planejado.
Para validar oficialmente o resultado, a prova contou com uma estrutura de fiscalização formada por 84 juízes, que se revezavam a cada quatro horas — nenhum deles podia ter parentesco com a atleta — garantindo a lisura necessária para a homologação do recorde mundial.
Ao todo, cerca de 110 profissionais — entre médicos, fisioterapeutas, nutricionista, treinadores e voluntários — se revezaram 24 horas por dia para dar suporte à atleta ao longo da semana.
“Pensava no próximo quilômetro, no próximo passo. Foi assim que consegui continuar”, resumiu Débora sobre a estratégia mental que a levou até o recorde.
O momento da quebra
Às 9h14 de domingo, ao ultrapassar os 846,16 km, Débora ergueu uma bandeira do Brasil e foi ovacionada pelo público que acompanhava a prova ao vivo no shopping. Mesmo com o recorde já garantido, ela seguiu correndo até o fim das 168 horas, fechando a marca final em 866,21 km.
Como foi a evolução da prova
| Tempo | Distância |
|---|---|
| 24 horas | 143,51 km |
| 48 horas | 270,32 km |
| 72 horas | 381,42 km |
| 96 horas | 517,00 km |
| 120 horas | 619,32 km |
| 144 horas | 730,60 km |
| Recorde batido | 846,16 km |
| 168 horas (final) | 866,21 km |
Recorde anterior: 846,16 km — Emma Timmis (Nova Zelândia), 2024
Novo recorde mundial: 866,21 km — Débora Simas (Brasil), 2026
Com informações de assessoria de imprensa (Apoio Comunicação) e apuração complementar em ND Mais, Portal R10, Terra e Notícias do Brasil.